um pouco mais de arte

aqui você encontra meus projetos favoritos, espero que goste!

finalmente nasceu "tragédia" e não poderia ter vindo em melhor hora.



Foi algo como quando você chega em casa e imediatamente se sente em paz consigo mesmo, algo como gelo fresco suando o copo de vidro sobre a mesa da varanda, algo assim. Definiria meu primeiro contato com o trabalho do Bruno como entorpecente. Você sabe que algo ali é diferente, é instigante.  Algo te prende ao mesmo tempo em que você sabe que aqueles sentimentos antes dele, agora são seus também, você os divide dentro de um mesmo espaço de tempo e aí, quando menos espera, está envolto nele feito névoa e neblina pela madrugada. 

"Meu nome é Tragédia" é ironicamente o total oposto de uma tragédia, é antes e sobretudo, uma ode literária às confissões de alguém com tanto a ser dito. Em tempos obscuros em nosso país onde a cultura de livros impressos e o próprio sistema editorial de publicação é algo de difícil acesso aos escritores nacionais e principalmente independentes, a publicação de "Meu nome é Tragédia" é um movimento de resistência e reação. 




Bruno Figueredo iniciou sua jornada na escrita aos 13 anos quando em um momento de autoconhecimento decidiu que seus sentimentos precisavam ser organizados, segundo ele, a escrita trouxe essa possibilidade.  Tive o prazer de conhecer o Bruno quando o mesmo publicava seu trabalho sob o pseudônimo “Sujeito Eu”, criado em 2014 e espaço que, por muito tempo, foi a principal janela criativa dele para entregar ao mundo todo seu exercício de escrita e arte.

Durante meses Bruno se dedicou à publicação de "Meu nome é Tragédia", e esteve por trás o tempo inteiro de todo o processo criativo da obra, desde a escrita do livro, incluindo edição e diagramação até a criação do design da capa. Todo o esforço dedicado é notado não apenas em cada detalhe do produto final mas, em maior parte, no conteúdo sincero e autoral que você encontra em cada página da obra que diz muito sobre si e sobre aqueles que o leem. 

Tragédia, personagem principal da história, é um jovem com uma trajetória incomum desde o seu nascimento. A obra passeia sobre diferentes momentos da vida do personagem, nos fazendo entender que tipo de pessoa ele foi, é ou se tornou. Toda a estrutura do livro atravessa desde a infância até a vida adulta do personagem bem como das pessoas com quem o mesmo se relaciona. O livro é dividido em partes ou capítulos, e a cada novo capítulo vemos de forma suave e implícita o desenvolvimento do personagem em diferentes fases de sua vida. Gosto de pensar que a cada novo capítulo o número  do capítulo sinaliza a idade atual de Tragédia frente aos acontecimentos descritos naquela parte do livro. Em conversa com o autor, tal hipótese nem foi negada nem confirmada, cabe aos leitores criarem suas próprias teorias. 

Diferente do que possa parecer, "Meu nome é Tragédia" não é só mais um livro sobre a história de alguém. Aqui Bruno cria sua própria narrativa, e une de forma deliciosa poesia e narração de forma que você acompanha não apenas a jornada de um personagem, você desliza por entre trechos poéticos, monólogos profundos e crus sobre diversas temáticas sob uma estrutura gramatical que você não costuma encontrar em um livro literário . O aprofundamento de temas pessoais como família, rejeição, sexo, sexualidade, identidade, sonhos, tudo é construído de uma forma pessoal, voraz, sutil, poética e muitas vezes violenta. Você sente tudo enquanto lê e tudo isso passa por entre Tragédia e as pessoas em sua vida. Em diversos momentos você sente que o personagem é real e tudo que você quer é tirá-lo daquelas páginas e levá-lo para tomar um café. 



Enquanto lia o livro, não pude deixar de notar que muitos dos sentimentos descritos, muitas das relações abordadas e dos acontecimentos que culminaram com o amadurecimento e tomada de decisões do personagem, conversam diretamente com a minha vida pessoal. Créditos ao Bruno, que tem uma escrita que alterna entre descrever momentos corriqueiros de uma forma tão suave e íntima que nos toca em lugares onde não sabíamos existir sentimentos guardados, até nos deixar desconfortáveis com o que o mundo e as pessoas nele podem ser capazes de fazer a alguém. A forma como todas as relações são descritas, os diálogos que conversam com nossos próprios dilemas e toda a estrutura com que os textos são editados, te faz sentir que essa é uma obra diferente e cujos sentimentos impostos não podem nem devem ser ignorados.

Não foram raros os momentos em que me peguei desprevenido derramando algumas lágrimas entre uma página e outra. Quando você percebe que durante a chegada da conclusão do livro Tragédia já não usa mais expressões como "isso é a melhor coisa do mundo todo" ou palavras meigas, doces e ingênuas para descrever suas primeiras sensações na vida como o seu primeiro amor, seu primeiro beijo, sua primeira atração ou experiência sexual, você se dá conta de que Tragédia cresceu, o mundo que ele enxerga não é mais o mesmo. O amadurecimento é acompanhado de forma natural e você só percebe que o Tragédia das últimas partes do livro não é o mesmo da página um pois a linguagem mudou, os sentimentos são outros.  Ele não é mais o mesmo e você também não. O livro te leva de mãos dadas junto à um ponto onde você precisa deixar as coisas seguirem seu próprio caminho, a vida acontece nos intervalos. 

Não fui capaz de ser o mesmo depois de digerir alguns dos quotes mais lindos que tomei nota durante a leitura desse livro. Não pude deixar de pensar nas últimas palavras ditas pelo personagem e em todo o percurso que sua vida tomou desde o dia em que ele percebeu o que fazia dele a pessoa que ele é.  Só posso dizer que estou orgulhoso de Tragédia e mais orgulhoso ainda do Bruno, que me deu a oportunidade de ter mais um amigo em minha vida, cuja história eu acompanhei no virar de uma página. 




Se você gostou essa resenha, tenho certeza de que irá gostar de "Meu nome é Tragédia". Você pode comprá-lo através do link disponível aqui e apoiar um escritor em seu trabalho de estreia. Desde já, conheça o trabalho do Bruno seguindo ele em suas redes sociais. Muito obrigado a todos que por ventura tenham chegado até aqui, um grande abraço e nos vemos na próxima parada! 


por: Jona Araújo. 

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