Eu tenho, meio que, uma
certa... Tendência a tristeza.
Em alguns momentos — quase todos os momentos — tudo que eu faço parece sempre
tomar um rumo sombrio e trágico e no final alguém sempre me deixa pra trás.
Eu sempre sinto muito. E fico acabado quando alguém que eu quero que fique vá embora. E, por fim, isso parece ser egoísmo meu: querer só pra mim o que não quer me pertencer.
Hoje mesmo eu vi um buraco negro se abrir sob os meus pés. É eu vi. Juro que vi. Eu não escolhi, mas me joguei nele. Mergulhei bem fundo até não conseguir mais respirar. Não senti nada nem ninguém me puxar de volta. Lá tinha o silencio que eu achava que precisava. Fui o mais longe que pude pra encontrar algo que aqui faltava. Mas tudo que encontrei foi a solidão. Nadei fundo. Nadei, nadei e nadei. Nadei até conseguir tocar o solo. E encontrei um solo farto. Cavei fundo e me enterrei. Talvez pra tentar florescer. Cavei em mim. Eu já cheguei ao fundo de mim e lá não encontrei tantas coisas boas quanto ruins.
Você não sabe, mas eu já fiz um esforço tremendo pra chegar aqui vivo. E eu continuo lutando todos os dias pra fazer algo que você faz com facilidade como levantar da cama. Eu luto todos os dias pra não deixar o meu barco afundar. Mas você não vê isso. Não vê porque na maioria das vezes você só enxerga em mim a pessoa que você quer que eu seja. Porque você só enxerga em mim o que você quer enxergar ou o que eu deixo você enxergar. Então você chega e me atribui uma função que não é minha: Mas eu não sou seu espelho. Não nasci pra ser seu espelho. Não posso ser seu espelho.
O tempo me ensinou a criar uma barreira emocional, e talvez você vai precisar se esforçar um pouquinho mais pra conhecer mais sobre mim do que eu lhe apresentar. Vai precisar ser forte pra saber quem eu sou de verdade e querer continuar. Mas se eu deixar você tocar em algo profundo meu, fique. Fique sem medo. Eu sei que as vezes assusta a forma intensa como eu lido com as coisas e os meus longos dias de hibernação dentro de mim que sou a minha própria caverna fria e escura.
Eu definitivamente não sou a melhor pessoa do mundo, nem o melhor amigo, escritor, poeta, filho, irmão, tio ou qualquer outra coisa. Não sou. Mas eu até que me contento com a ideia de que estou sempre dando o melhor que consigo fazer em cada momento.
Mas você, que conseguiu chegar a um lugar que poucos chegaram aqui, quando estiver pronto, aceite as mudanças e tente não ser tão rude consigo mesmo e com as outras pessoas. A vida da maioria está tão bagunçada quanto a minha e a sua e talvez ninguém aqui esteja querendo se organizar, e, sim, só querendo juntar tudo e tentar ser feliz.
por: Bruno Figueredo | @SUJEITOEU
Eu sempre sinto muito. E fico acabado quando alguém que eu quero que fique vá embora. E, por fim, isso parece ser egoísmo meu: querer só pra mim o que não quer me pertencer.
Hoje mesmo eu vi um buraco negro se abrir sob os meus pés. É eu vi. Juro que vi. Eu não escolhi, mas me joguei nele. Mergulhei bem fundo até não conseguir mais respirar. Não senti nada nem ninguém me puxar de volta. Lá tinha o silencio que eu achava que precisava. Fui o mais longe que pude pra encontrar algo que aqui faltava. Mas tudo que encontrei foi a solidão. Nadei fundo. Nadei, nadei e nadei. Nadei até conseguir tocar o solo. E encontrei um solo farto. Cavei fundo e me enterrei. Talvez pra tentar florescer. Cavei em mim. Eu já cheguei ao fundo de mim e lá não encontrei tantas coisas boas quanto ruins.
Você não sabe, mas eu já fiz um esforço tremendo pra chegar aqui vivo. E eu continuo lutando todos os dias pra fazer algo que você faz com facilidade como levantar da cama. Eu luto todos os dias pra não deixar o meu barco afundar. Mas você não vê isso. Não vê porque na maioria das vezes você só enxerga em mim a pessoa que você quer que eu seja. Porque você só enxerga em mim o que você quer enxergar ou o que eu deixo você enxergar. Então você chega e me atribui uma função que não é minha: Mas eu não sou seu espelho. Não nasci pra ser seu espelho. Não posso ser seu espelho.
O tempo me ensinou a criar uma barreira emocional, e talvez você vai precisar se esforçar um pouquinho mais pra conhecer mais sobre mim do que eu lhe apresentar. Vai precisar ser forte pra saber quem eu sou de verdade e querer continuar. Mas se eu deixar você tocar em algo profundo meu, fique. Fique sem medo. Eu sei que as vezes assusta a forma intensa como eu lido com as coisas e os meus longos dias de hibernação dentro de mim que sou a minha própria caverna fria e escura.
Eu definitivamente não sou a melhor pessoa do mundo, nem o melhor amigo, escritor, poeta, filho, irmão, tio ou qualquer outra coisa. Não sou. Mas eu até que me contento com a ideia de que estou sempre dando o melhor que consigo fazer em cada momento.
Mas você, que conseguiu chegar a um lugar que poucos chegaram aqui, quando estiver pronto, aceite as mudanças e tente não ser tão rude consigo mesmo e com as outras pessoas. A vida da maioria está tão bagunçada quanto a minha e a sua e talvez ninguém aqui esteja querendo se organizar, e, sim, só querendo juntar tudo e tentar ser feliz.

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