
No dia 12 de março a poderosa Netflix, lançou em seu catálogo o aguardado novo longa do roteirista/diretor Alex Garland a mente por trás do ótimo Ex_Machina. O novo trabalho que também conta com a atuação de uma das minhas preferidas de Hollywood, Natalie Portman, veio rodeado de especulações, polêmicas e desentendimentos entre diretor e produtora. Porém, o foco desse post é analisar um tema pertinente no longa e que me rendeu algumas noites de autorreflexão. Se você não assistiu ao filme, não se preocupe, pois, esse post não irá entregar nenhum spoiler, pode relaxar.
No longa, a Natalie Portman dá vida a bióloga Lena, cuja especialidade é o trabalho com células. O início de toda vida e o ingrediente principal de toda forma de vida na terra. Nas primeiras cenas é possível ver uma célula em atividade dando origem à outra célula através do processo de divisão celular. O foco da cena é nos levar ao início de todo organismo vivo que existe, por nos mostrar que tudo que tem vida, surge de uma microscópica célula que dá origem à outros milhares que compõe nossos tecidos.
Entretanto, algo que impacta quem assiste é a informação de que tal célula, nada mais é que uma célula cancerígena em atividade. O que nos leva a pensar que assim como células saudáveis as células cancerígenas desenvolvem seu papel de dar início a algo novo. É assim com muitas coisas das quais a ciência estuda, coisas precisam ser destruídas para darem vida ou suporte a outras. Aniquilação trata de temas profundos e intrínsecos à natureza humana e nos leva a refletir sobre comportamentos autodestrutivos. Em um dos diálogos alguém diz, parafraseando, que a maioria das pessoas não é suicida, mas que todos somos autodestrutivos. Fumamos, bebemos, sofremos por amor, desenvolvemos depressão, distúrbios alimentares, nos tornamos ansiosos. Desenvolvemos diversos hábitos que nos levam à destruição de nós mesmos, não com o intuito de nos levar à morte, mas indiretamente mesmo sem perceber esse comportamento nos leva à destruição de quem somos.
O exemplo do câncer abordado nas cenas iniciais, nos mostra que o objetivo de tais células não é nos levar à morte, mas criar algo novo, algo que consequentemente nos mata pois temos como que um defeito de fábrica em nós mesmos que nos faz naturalmente nos deteriorarmos com o tempo, como se fôssemos uma máquina sem peças para novos reparos e que logo aos poucos se tornará obsoleta. Nosso finito círculo de vida se resume à nos dirigirmos lentamente ou não à uma morte anunciada, nossas células são em si autodestrutivas, se tornando com o tempo uma parte sem forças de nossa existência.
Nosso comportamento, entretanto, não é apenas autodestrutivo, mas destrutivo para os que nos cercam. Somos egoístas, traidores, desonestos, assassinos, traidores, seres inclinados ao comportamento de desfazer com nossas próprias mãos tudo aquilo pelo qual lutamos ser: pessoas melhores. Não é como se não pudéssemos ser pessoas melhores, não é como se fosse impossível desenvolver virtudes e qualidades admiráveis, mas é necessariamente uma guerra interna cheia de fracassos no processo tentar ser uma versão melhorada de nós mesmos.
Com isso, fica o sentimento não de pessimismo ou descrença quanto à natureza humana e sua capacidade moral de sermos amanhã aquilo que não conseguimos ser hoje, mas a reflexão de conhecermos nossos instintos e comportamentos mais íntimos, mesmo os mais obscuros, para enfrentarmos face a face a realidade que em nós se apresenta e fazer disso um estudo real para programarmos quem somos, nossas personalidades e pensamentos. Evoluir. Afinal, quanto mais negamos algo, mais real ele se torna, mesmo que não esteja bem em frente dos nossos olhos.
| Se você assistiu ao filme, deixe seu comentário sobre o seu ponto de vista e reflexões sobre os temas que esse filme aborda. Será um prazer conversar com você sobre o seu ponto de vista do enredo. |


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